Hay fuego en el 23




Pretendo silenciar nas outras redes sociais. Faz um tempo já que silenciei no Twitter, e hoje estou mais ativa no Facebook e no Instagram. Estou me debatendo com o fato de estar publicando dois livros esse ano e ao mesmo tempo estar cansada da dinâmica das redes sociais. Instagram é viciante, Facebook é triste. Vale a pena a troca de afeto, vale a pena a possibilidade de conhecer e apoiar o trabalho de outras pessoas, vale a pena a busca da beleza e o encontro verdadeiro que às vezes acontece nas redes sociais. Mas eu me sinto enjoada, muitas vezes fora do eixo. Me incomoda o exagero da visualidade, da exposição, por mais que ame a linguagem das imagens. São coisas diferentes. 

Faz um tempão que eu comecei este blog, em português iniciante, quando trabalhava na Casa do Caminho, no Rio. Depois minha vida tomou outro rumo e o blog também. Escrevi o resto dos posts em espanhol até 2018, quando voltei ao Brasil. Até hoje, cinco anos depois, quando volto a publicar em português. O motivo é evidente. O objetivo deste post é registrar o nascimento desse livro da foto, com a capa linda feita por Maria Williane, que está sendo publicado esse mês pela Editora Diadorim. E deixar aqui os agradecimentos que deixei lá no Instagram, e que vou apagar, porque estou agoniada com a foto de má qualidade que postei lá. O trabalho da Maria merece um registro mínimamente decente. 

Pretendo seguir alimentando o blog, não sei em qual língua. Só sei que estou fazendo o doutorado voltado para tradução de poesia e ao mesmo tempo querendo escrever um livro de poesia em espanhol. Sinto a necessidade de retornar ao espanhol: passei os últimos cinco anos estudando escrita criativa em Porto Alegre. Minha ousadia de escrever um livro em português deu este fruto inesperado, no sentido de que eu não esperava publicar meu primeiro livro de narrativa no Brasil. Meu primeiro livro de narrativa, a rigor, foi Ceiba. Um conto longo infantil publicado na Colômbia. Mas este é meu primeiro livro de narrativa mais longo, digamos, mesmo sendo breve, e eu escrevi em português como estratégia de experimentação e desbloqueio. Eu gosto do livro em termos gerais, mesmo que já queira olhar para outro lugar em termos criativos. Gosto do risco que tomei, gostaria de tomar mais riscos, levar mais longe algumas escolhas que fiz aqui. 

Então é isso, este post é em português porque precisa ser em português, mas é impressionante a necessidade que tenho de escrever em espanhol. E é muito intensa a vontade que tenho de escrever mais, mesmo que ainda não saiba como fazer isso, porque o próximo livro, como espero que sejam todos, é um mistério ainda para mim. Este livro foi uma imersão, em mim, na língua, na memória, na dor, numa espécie de devoção imanente que pode ser vivida através do corpo, do corpo humano, do corpo animal, do corpo da terra, do corpo da palavra. E é isso. Tomara que mexa com o âmago ou as ideias de algum leitor ou leitora por aí. Porque é isso que eu busco na arte, aquilo que eu senti em Buenos Aires quando vi a arte de Ron Mueck, por exemplo. Ou aquilo que eu senti lendo alguns contos de Tchekov. Uma comoção, um arrepio de estar viva e ter um corpo e ter acesso a uma espécie de núcleo de mim e das coisas, seja pelas beiradas ou de forma direta e estrondosa. 

Eu acho absurdamente estranho e inevitável publicar o que escrevo. E acho impressionante, me deixa pasma que um terceiro ou terceiros queiram publicar o que escrevo. É um privilégio, um ato de imensa generosidade da parte deles. E não sei vocês, mas eu não escrevo nem faço nada sozinha, por mais que seja uma pessoa com duvidosas habilidades sociais. Há um batalhão de pessoas e uma série de eventos que permitiram que eu levasse essas palavras em forma de objeto para gente que, talvez, queira ler. 

Segue então o que escrevi lá no Instagram:

Olha o livro que surgiu na minha humilde biblioteca de escritora migrante. De uma tal Ángela Cuartas, com acento agudo no a, com título em espanhol e escrito em português.

Na verdade, foi escrito nas duas línguas, entre a Colômbia, o Brasil e a Suíça. O título nasceu no Jardim Botânico de Zurique (chique). Uma das primeiras leitoras, minha amiga @maria.elena.moran, me ajudou a polir a primeira versão em espanhol. Depois me contou sobre a nova fase da @diadorimeditora, na qual ela estava envolvida, e eu aceitei, muito honrada, que Madreselva fosse o primeiro lançamento. Só tenho a agradecer a María Elena e aos demais editores da Diadorim, @flavio.ilhasouza@joaonj e @jeferson.tenorio.9, por ter acreditado nesta proposta literária. E por cuidar dela com tanto carinho.

E agradeço também, infinitamente, a minha querida Maria, pelo projeto gráfico que é uma leitura preciosa do livro como um todo e de um dos textos que inspirou essa ilustração lindíssima da capa. Só uma artista, leitora e escritora tão talentosa, aguda e sensível como ela poderia ter feito esse trabalho impecável, que vocês precisam ver também na parte interna.

A lista de pessoas a agradecer é enorme. 
Os queridos @bernardo.bu@odiegogrando e @amilcarbettega (que assina o belíssimo texto de orelha) acompanharam a escrita da primeira versão, quando eu estava ainda me achando em Porto Alegre, na escrita e no português. O grupo @cartografiasnarrativas, coordenado pelo @opauloricardok, com a presença de tantos colegas que admiro, também foi essencial no processo. E, porfim, teve a excelente leitura crítica de @julia.y.rodolfo, que me ajudou a navegar esse encontro das águas que é meu portunhol.

Fico pensando quando o livro começou a ser escrito e quantas pessoas colaboraram para que ele se materializasse, de tantas formas. E lembro de uma viagem que fiz na Colômbia, logo antes de vir ao Brasil para fazer o mestrado na @humanidadespucrs, que teve esse momento de imersão na floresta. Esse foi um dos inícios. Deixo o registro aqui, como um convite, para que vocês se internem também na leitura, nessa porção de luz e de sombra que a natureza e as palavras têm pra nos dar.




(Foto de Mauricio Bueno)










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